domingo, 27 de janeiro de 2008

Um pouco de história...

A forma de comunicação do surdo foi desde sempre algo que pouco interesse despertou por parte da sociedade em geral. Aristóteles e Santo Agostinho são dois dos poucos autores a deixar relatos na sua obra acerca dos surdos e da sua educação. É só no século XVI que é conhecido aquele que foi considerado o primeiro pedagogo de surdos, o monge beneditino Pablo Ponce de Leon, que criou uma escola para crianças surdas provenientes da nobreza espanhola.
O monge Pablo de Leon defendia que era preciso “reeducar o aluno pela leitura e escrita e só então é que se devia passar à fala através de um alfabeto manual.”. Mas foi também em Espanha, país que tanto fez pelos surdos que surgiram teorias descabidas, onde um curioso, Ramires de Carrion desenvolveu um tratamento cuja receita passava por rapar o cabelo do surdo, aplicar-lhe uma mistura “milagrosa” e de seguida gritar-lhe bem alto, uma vez que o paciente era surdo, uma fervorosa reza. Em 1623 um acompanhante do príncipe de Gales a Espanha, ficou impressionado com a capacidade de compreensão e produção oral de um aluno de Juan Pablo Bonet, que havia continuado com o trabalho do monge, ficando o Juan Pablo Bonet responsável pela educação dos membros da família Velasco.
A partir desta altura houve por parte da Inglaterra uma tomada de consciência em relação aos problemas que afectavam os seus surdos. Foi então desde esta data e até ao século XVIII a Inglaterra a grande impulsionadora de todas as inovações que se conheceram na pedagogia de surdos. A partir de então, alemães e franceses defenderam também a sua própria teoria, sendo que a dos alemães passava por obrigar o surdo a desenvolver a sua capacidade de ler os lábios, tendo como contrapartida de não o fizesse o facto de não comunicar. Já o método francês defendia o uso do gesto na educação do surdo uma vez que sustentava como exemplo o facto de qualquer outro ser humano privado da linguagem oral usar o gesto como meio de comunicação. Como tal os franceses uniram esforços para como forma de organizar os gestos utilizados e aqui começa o nascimento da língua gestual. No século XVIII e XIX os Estados Unidos da América adoptam este sistema, visto considerarem-no o mais adequado o que faz com que o método defendido pelos franceses tenha ganho um grande aliado e consecutivamente enorme importância daí em diante.
Desde então e após várias outra evoluções na comunicação dos surdos, cada país adoptou uma língua gestual própria, no caso português, adoptou-se a língua gestual portuguesa. Uma vez língua, não deve ser tratada como linguagem já que esta tem como qualquer outra língua uma gramática própria e um dicionário intitulado gestuário que dispões os significados sob a forma de gestos. A língua gestual está constantemente em desenvolvimento o que permite ao surdo uma constante actualização.
Neste sentido e uma vez que a tecnologia é um promissor recurso para aproximar pessoas e desenvolver o seu potencial cognitivo deve ser desenvolvida uma maior interacção entre o surdo e o computador o que nos propomos a pôr em prática através da implementação do software adequado a surdos utilizando a língua gestual portuguesa. A tecnologia, como é o caso da internet proporciona aos surdos o serem aceites como pessoas com diferença linguística, e não com deficiência. Além desta potencialidade de trocas e de igualdade entre todos, o computador em junção com a internet é uma grande mais-valia para os seus utilizadores proporcionando-lhes também uma nova e vasta forma de aprendizagem por isso mesmo deve ser posto ao dispor de todos.

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